Quando o tamanho do seu cv conta

30-08-2019

A sua experiência profissional é tão vasta que não consegue resumi-la em duas páginas? Ou, pelo contrário, tem pouca experiência e o seu currículo nem ocupa uma página?

Existem dois problemas, que identifico com frequência, relacionados com o tamanho dos currículos. Os demasiado extensos e os que têm pouca informação. 

Veja as soluções que encontrei para si. 


CV demasiado extenso

É a situação mais comum que encontro porque os candidatos tendem a colocar todas as experiências profissionais que já tiveram. Têm a expectativa de que quanto mais informação colocarem, mais valorizada será a sua candidatura. Será mesmo assim?

3 Razões para não colocar tudo no seu currículo

1 - Risco de rejeição

Se der muita informação ao recrutador aumenta o tempo de leitura e diminui a atenção dada ao seu currículo. Se for demasiado extenso, este, poderá ficar de lado.

2 - Falta de foco

Ao colocar todas as experiências profissionais, as que são relevantes para o cargo e as que não são, deixa de ter foco na função a que se está a candidatar. Apele ao seu poder de síntese e deixe de lado o que poderá não interessar para a candidatura de determinada função.

3 - Contornar a falta de assunto 

Não se alongue. Para não ficar sem nada para dizer no momento da entrevista, seja breve. O que não conseguir inserir no currículo, servirá para desenvolver na entrevista. 

CV demasiado curto

Esta situação é comum em candidatos com pouca experiência profissional ou quando deixam de fora outras experiências de vida que podem enriquecer o seu currículo.

5 Experiências a considerar

1 - Voluntariado

Sim, todos sabem que se coloca a experiência de voluntariado no currículo, mas o problema surge quando não se consideram certas experiências no currículo por serem muitos breves ou até já estarem esquecidas. É importante uma reflexão e análise de todo o percurso de vida. Inclua o acompanhamento de quinze dias que fez com crianças num campo de férias ou a associação que ajudou num fim de semana.

2 - Estágios não remunerados

Quando um candidato faz uma formação profissional, é normal deixar de fora os estágios realizados por pensar que estes já fazem parte da formação. E fazem! Mas deve evidenciar o estágio profissional, mesmo que se refira ao curso no campo "Formação". Se o seu currículo for muito longo, evite esta redundância. São situações diferentes!

3 - Cuidados com idosos, crianças ou pessoas dependentes 

Algumas pessoas, que se tornaram cuidadoras informais, poderão apresentar esta experiência como um contributo muito válido. Se fizer sentido para a função a que se candidata, insira estas experiências. Um cuidador informal desenvolveu, ou já tem, características de responsabilidade, resiliência, empatia ou gestão de tempo. Provavelmente adquiriu conhecimentos básicos de cuidados de enfermagem, alimentação saudável ou burocracias na área da saúde.  

4 - Seminários, workshops e formações informais

Se tem algumas destas experiências, escreva-as no seu currículo. Podem fazer toda a diferença e demonstra que tem interesse na área e que quer aprender. Se a função o permitir, faz sentido colocar.

5 - Conhecimento feito de experiência

Por não conseguirem provar que têm determinadas aptidões ou por nem considerarem que as têm, candidatos que aprenderam sozinhos, deixam de fora competências que podem ser uma mais valia para a empresa. De um modo geral, os autodidatas podem aprender sozinhos informática, outros idiomas, culinária, reparações técnicas ou instrumentos musicais. Estas, podem fazer parte de uma auto-aprendizagem que revela espírito de curiosidade e vontade em desenvolver-se através do método mais eficiente que existe, a curiosidade genuína.

Tente que o seu currículo não ultrapasse as duas páginas. E já sabe, menos é mais.

Cristina Pinto