Por que motivo os projetos correm melhor sem um plano B?

05-10-2018

Sempre que pensamos num projeto de vida tendemos a medir os prós e os contras. Planeamos todo o processo e antes de avançar definitivamente há que arranjar um plano B (e C, D...Z) no caso de alguma coisa não correr como planeámos. Começar um projeto sem qualquer tipo de organização é imprudente, mas incluir um hipotético falhanço faz parte dos seus planos?

Decorria o ano de 2011 e, muito decidida e empreendedora, criei um negócio. Não tardou para que as pessoas à minha volta (concorrência e tudo) me questionassem se aquele seria o melhor momento para abrir uma loja gourmet. Ai, como eu estava determinada e já com a resposta na ponta da língua: "Não te preocupes, se não correr bem, eu como!" seguido de um sorriso parvo.  Bem, não será difícil imaginar que comi alguma mercadoria.

Esta memória lembra-me uma grande aprendizagem que retirei. Não há plano B. Na minha cabeça, desde que criei a ideia, sempre pensei que, se não corresse bem, a opção já existia. Era como se eu aguardasse por esse momento, mesmo sem o desejar.

Porque não ter um plano B?

Quando nos dedicamos a um projeto que queremos muito, seja pessoal ou profissional, não podemos ter alternativa para que todo o nosso esforço se concentre em fazer resultar esse projeto. Saber que não temos outra opção naquele momento fará aumentar as hipóteses de sucesso. Não aumente as probabilidades de um falhanço, foque-se em fazer acontecer o que deseja. Não ter outro plano não lhe dá garantias de sucesso, mas aumenta muito as possibilidades de êxito. 

Imagine um trapezista. A concentração e o foco dele aumentam sem a rede. Mas o trapezista, treinou muito, primeiro numa altura mais baixa, depois com uma rede e deve ter caído muitas vezes! Quando decidiu avançar sem rede, o trapezista foi confiante, talvez com medo, mas determinado em fazer tudo para não cair.

Não estou a dizer para não medir o risco, nem para se meter em projetos sem pés nem cabeça. Aliás, deve pensar sempre em todos os prós e contras, planear bem cada passo e pensar como vai ficar a sua situação se o plano não resultar. Apenas sugiro para não incluir no plano A um plano B.

E se o plano A falhar?

Pode acontecer que o seu plano A falhe. E, pode acontecer porque não controlamos todas as variáveis.  Mas o plano A pode falhar, com ou sem plano B. A diferença é que utilizará maior esforço para que o primeiro plano resulte. Mas se falhar mesmo, não lhe faltarão planos alternativos, acredite! Depois, e se o plano falhar, é que se deve preocupar com outra solução. Até lá, faça tudo o que estiver ao seu alcance para que o seu projeto resulte. 

Quando recorrer a um plano B?

Se, depois de ter feito tudo para que o primeiro plano resulte, se já não lhe fizer sentido continuar com o mesmo projeto, se a vida mudou, se você mudou, então avance para o plano B. Uma das coisas mais fascinantes que a vida tem é não ser previsível mas sim vivida.


Seja um negócio, uma parceria ou uma relação, avance quando tiver a certeza que é aquilo que quer. Foque a sua energia nesse plano sem se preocupar nas infinitas hipóteses que podem correr mal. 

Cristina Pinto