Odeio o meu trabalho

31-07-2020

Queria ser jornalista. Depois de terminar o curso, Filipa conseguiu alguns estágios em jornais e publicações locais. Trabalhava sem contrato e sem horário, mas com muitas promessas. Estava a começar a sua carreia e a esperança tornou-se a razão para apostar tudo em cada experiência que saía frustrada. O jornal fechou, a revista não lhe pagou o que tinha prometido e os primeiros sentimentos de frustração começaram a assombrar-lhe os dias.

Sentia-se inútil, desvalorizada e agora sem esperança nas promessas vazias. Desistiu, arrumou os seus talentos e foi trabalhar numa seguradora. 

Treze anos depois, Filipa tinha uma vida financeira estável, fingia que já não queria ser jornalista e vivia tranquilamente com os seus 2 filhos e o marido. Sem prever, a empresa mudou de direção e o ambiente também mudou. Novas regras, novas funções e novos colegas. Não estava habituada com tanta mudança ao mesmo tempo. Não se adaptou e a frustração de outros tempos voltou.

Afinal não fazia o que gostava. Bastaram algumas alterações e a sua perspetiva também mudou. Em poucas semanas percebeu o quanto odiava o seu trabalho. Tinha dedicado muito tempo àquela empresa para agora se ver no meio de um caminho que não a levava a lado nenhum. Chorava todos os dias. Vivia no dilema de aceitar esta nova mudança ou de virar costas e começar a trabalhar numa área que afinal sempre quis. Não queria viver mais a odiar o seu trabalho.

Tal como Filipa, existem muitas pessoas a viverem nesta incerteza. Ela pode escolher ficar e adaptar-se às mudanças, continuar na empresa contrariada e infeliz ou sair e recomeçar de novo.

Se ficar terá de se focar em todos os pontos positivos, valorizar a sua experiência e o seu contributo para aquela empresa. Terá de aceitar as novas regras e voltar a ter esperança que as condições se tornem mais favoráveis. Se continuar na empresa e não se adaptar, ficará frustrada, revoltada e não será feliz.

Se sair a incerteza é muito maior, mas uma série de oportunidades podem abrir-se e, quem sabe, trabalhar como jornalista. Está mais madura, adquiriu outras experiências, tem muitos contactos e uma vida financeira estável que lhe dará a segurança que precisa para a mudança.

O que faria no lugar da Filipa? Adaptava-se, revoltava-se ou recomeçaria de novo?

Até breve.

Cristina Pinto


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