O Outro Lado de Um Vírus

27-03-2020

Que esta pandemia tem consequências muito negativas para a vidas das pessoas, toda a gente sabe. Que as consequências económicas, além de dramáticas, podem ser imprevisíveis, também. Que o medo e até o pânico podem tomar conta de algumas pessoas também é normal, mas não desejável. Mas será que é possível tirar partido de um vírus? Que benefícios e aprendizagens podemos levar daqui?

Sim, é possível encontrar oportunidades e descobrir que existe, no mínimo, uma perspetiva positiva em situações trágicas, até mesmo como esta e, isso, é o que vamos ver.

De um dia para o outro, a vida de milhões de pessoas sofreu uma ameaça invisível. E, não sei se é o seu caso, mas às vezes eu sinto que estou a viver dentro de um filme de ficção. Depois a incerteza e a dúvida misturam-se com a esperança e a crença de que tudo vai correr bem. Nem sempre é fácil, mas a capacidade de resiliência e a criatividade podem fazer toda a diferença em momentos únicos, como este.

Quando não podemos controlar todas as variáveis, temos de fazer os possíveis para nos focarmos naquelas em que ainda temos essa possibilidade. Virei este vírus do avesso à procura de tudo o que poderia aprender como ele. E, encontrei muito mais do que estava à espera.

NO MUNDO

Em todo o mundo podemos observar uma diminuição da poluição, consequência da redução do consumo e da produção, das deslocações aéreas e da circulação de automóveis. Temos, por isso, um planeta mais limpo e consequentemente uma diminuição da morbilidade e da mortalidade.

A necessidade de uma maior higiene das mãos, para evitar a transmissão do vírus, contribuiu para que se evitassem também outras doenças. Novos hábitos de higiene foram adquiridos e estaremos muito mais atentos à necessidade de limpeza e higiene enquanto fator preventivo na propagação de doenças.

As inúmeras tentativas para encontrar uma vacina que ponha um fim a este vírus, juntou cientistas de todo o mundo. Provavelmente, importantes descobertas científicas resultarão deste esforço conjunto que poderão servir como soluções para outras doenças.

Atos altruístas como a doação de equipamentos ou voluntários que se doam num dos momentos mais difíceis que a humanidade já assistiu. Recordo o fabricante de gravatas italiano que, numa fase inicial, ofereceu várias máscaras, produzidas com restos de tecidos, aos habitantes e que depois decidiu doar as receitas obtidas para a compra de equipamento médico. Um pouco mais perto, um senhorio da Covilhã que ajuda os seus inquilinos com a entrega de cabazes semanais. A Faculdade de Ciências e Tecnologia, com recurso a impressoras 3D, imprimem viseiras para os hospitais. E, só para citar mais um exemplo, o José Mourinho que ajudou a preparar sacos com bens de primeira necessidade para idosos que precisam de ajuda em Londres.

NOS NEGÓCIOS

Algumas empresas voltaram a sua produção para novos mercados e conseguem oferecer uma ajuda à falta de material hospitalar, aproveitando novas oportunidades de negócio. A Ferrari deixou de produzir carros e produz ventiladores. Várias empresas nacionais que apostam agora na produção de viseiras para o uso hospitalar. Empresas que se viram privadas de funcionar, como ginásios, optam pelas aulas on-line.

NA ÁREA PROFISSIONAL

A necessidade de trabalhar a partir de casa com recurso ao teletrabalho, em atividades que costumam ser realizadas presencialmente, vieram mostrar que é possível continuar a exercer muitas atividades sem estar presente no local de trabalho. Esta imposição veio derrubar barreiras assentes em preconceitos que desvalorizam o teletrabalho ou o trabalho remoto. Este é o momento de adquirir novas competências que continuarão a ser válidas mesmo quando a atividade profissional deixar de ser realizada através de casa.

Para todas as pessoas que precisam de um tempo razoável para se deslocarem até ao local de trabalho, têm agora mais tempo disponível, porque podem poupar tempo nos trajetos, além de reduzirem os custos nas deslocações.

NA ÁREA FAMILIAR

A maioria das pessoas passa mais tempo no trabalho do que com os seus familiares. Ficar em casa é uma oportunidade para viver momentos únicos em família e que, muito dificilmente, se voltará a repetir. É tempo de partilhar os instantes que agora parecem infindáveis e que, mais tarde, serão uma ímpar lembrança. Ter tempo para poder estar e acompanhar os filhos e descobrir que afinal podem fazer muitas coisas juntos. Pais e filhos «correm o risco» de se conhecerem melhor.

ORGANIZAÇÃO

Para muitas pessoas, que agora têm mais tempo disponível, é uma oportunidade para se organizarem. Podem resolver assuntos pendentes (que nunca tinha tempo), organizar e limpar a casa, organizar os e-mails e as pastas do computador. Tratar do arquivo, da garagem, do jardim ou do roupeiro.

PROMOÇÃO DO EXERCÍCIO FÍSICO

A impossibilidade de sair e de frequentar um ginásio trouxe a opção de exercitar o corpo em casa e influenciou outras pessoas a fazê-lo através das redes sociais. A motivação e a criatividade ditaram outras formas de promover o exercício físico. Os conselhos da DGS (Direção Geral da Saúde) também apelam à prática de um estilo de vida saudável onde se recomenda esta prática. 

DESENVOLVIMENTO PESSOAL

O fator tempo que, agora, não será uma condicionante (para quem tem de ficar em casa), mas uma oportunidade para meditar, refletir acerca das suas escolhas, para analisar o seu percurso pessoal ou profissional, definir novos objetivos e projetar-se no futuro. É também muito importante relativizar a situação atual com outras situações vividas no mundo. Desenvolver a nossa capacidade de resiliência, ler e, quem sabe, escrever-se. Descobrir o que é essencial do que é acessório. Valorizar o que já tem.

O grande paradoxo é que para continuarmos todos juntos, temos de ficar afastados. Esta guerra não se vence com armas, mas com amor, solidariedade, responsabilidade e bom senso. Não se vence com o confronto entre as nações, mas com a cooperação entre elas. Não se vence com violência, mas com respeito e inteligência.

Será que necessitamos de tudo o que julgamos precisar? Do que podemos, afinal, prescindir? Quem são as pessoas importantes para cada um? Que ser humano renascerá depois disto tudo? A personalidade de cada um irá salientar-se, seja para o bem ou para o mal. Os egoístas continuarão egoístas e os altruístas terão a oportunidade de mostrar o quanto podem ajudar o mundo.

Talvez seja isto que este vírus nos quer ensinar.

Eu estou em casa. E o leitor? 

Cristina Pinto


Já teve dúvidas em saber se escreve «à muito tempo» ou «há muito tempo»? Já viu escrito das duas maneiras e ficou ainda com mais dúvidas? Ou sabe como se escreve e quando tenta explicar duvidam si?

Já sabe o que é a procrastinação, já sabe o quanto isso prejudica o seu desempenho pessoal e profissional, já sabe que tem que fazer alguma coisa, mas continua a ser um procrastinador?

A taxa de desemprego aumentou no segundo trimestre e o mercado não terá capacidade de acolher tantas pessoas disponíveis para trabalhar nos próximos meses. A procura de uma solução poderá passar por criar o seu posto de trabalho a partir de casa.