Honestidade

24-05-2019

Quando o mundo fala de comunicação, inteligência emocional e relacionamento interpessoal, como características essências para um bom desempenho profissional, a honestidade tornou-se uma qualidade esquecida.

Até parece que, ser honesto não é uma característica muito valorizada hoje em dia, apesar de ser desejável, mas não muito! 

Se for demasiado honesta, podem tomar-me por parva, por isso tenho de ter cuidado! E, no meu comportamento, manifestamente honesto, eu demonstro que também sou esperta e até digo: "Eu sou honesta, mas não sou parva, por isso devolvi a carteira, mas fiquei com os vinte euros!" Depois vem o conflito interior, porque a desonestidade não é uma coisa boa. O que eu faço para me sentir melhor? Eu critico os desonestos. Então, eu tenho de parecer honesta, mas um bocadinho esperta, é isso?  

É isso mesmo, a honestidade foi deixada no limbo. Como o honesto pode passar por parvinho, o chico-esperto é o desonesto que pensa que nunca será apanhado, mas que se mimetiza e encandeia os que praticam e criticam a desonestidade.

As pessoas não querem ser chamadas de desonestas, mas têm medo de serem consideradas "parvinhas". É tão comum ouvir: "Toda a gente faz." quando se quer ficar em paz com a consciência.

Quando tiver uma oportunidade de ser desonesto, avalie o que ganha com isso e o que perde se for descoberto.

O mundo não é dos espertos. É das pessoas honestas e verdadeiras. A esperteza, um dia, é descoberta e vira vergonha. A honestidade se transforma em exemplo para as gerações do futuro. Uma corrompe a vida; a outra enobrece a alma.

Chico Xavier


Esta foi uma breve reflexão acerca de um tema que não é muito discutido, mas criticado. Vejo a honestidade como um investimento em todas as áreas da vida e intriga-me que esta característica, enquanto qualidade do ser humano, seja tão exigida aos nossos filhos, à pessoa com quem partilhamos a nossa vida, aos colegas de trabalho, aos políticos, aos serviços que usamos, mas somos incongruentes e, mesmo assim, achamos normal. 

Hoje, deixo-vos um conto de autor desconhecido, A Flor da Honestidade, espero que gostem.

Cristina Pinto

A Flor a Honestidade

Conta-se que por volta do ano 250 a.C., na China antiga, um príncipe da região norte do país estava às vésperas de ser coroado imperador, mas de acordo com a lei, ele deveria casar-se. 

Sabendo disso, ele resolveu fazer uma disputa entre as jovens da corte ou quem quer que se achasse digna de ser sua esposa. No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio. Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouviu os comentários sobre os preparativos e sentiu uma leve tristeza, pois sabia que a sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe. 

Ao chegar  a casa e relatar o fato à jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração, e indagou incrédula: - Minha filha, o que irás lá fazer? Tira essa ideia da tua cabeça. Eu sei que deves estar a sofrer, mas não faças essa loucura.

E a filha respondeu: - Não, querida mãe, não estou a sofrer e muito menos louca, eu sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é a minha oportunidade de ficar alguns momentos perto do príncipe, isto já me torna feliz.

À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas jovens, com as mais belas roupas, com as mais belas joias e com as mais determinadas intenções. Então, finalmente, o príncipe anunciou o desafio:

- Darei a cada uma de vós uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida para minha esposa e futura imperatriz da China.

A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava muito a especialidade de "cultivar" algo, sejam costumes, amizades ou relacionamentos.

O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura da sua semente, pois sabia que, se a beleza da flor surgisse na mesma extensão do seu amor, ela não precisava de se preocupar com o resultado.

Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido. Dia após dia, ela percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor. Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e dedicação, a jovem comunicou à sua mãe que, independente das circunstâncias, retornaria ao palácio na data e hora combinada, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe.

Na hora marcada, estava lá, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. Ela estava admirada, nunca havia presenciado uma cena tão bela.

Finalmente, chegou o momento esperado e o príncipe observou cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anunciou o resultado e indicou a bela jovem como sua futura esposa.

As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado. Então, calmamente, o príncipe esclareceu:

- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz: A flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis. 


Autor desconhecido