Assistente Virtual: 365 dias depois

17-05-2019

No mesmo dia em que completava um ano de me ter despedido, voltaram a questionar-me acerca da profissão de assistente virtual. Percebi que, tal como eu, existem muitas pessoas que querem desenvolver uma atividade como nómada digital para trabalharem com mais autonomia e fazerem o que mais gostam.


Olho à minha volta e vejo pessoas que não são felizes na sua atividade profissional. Tenho recebido perguntas acerca desta profissão e candidaturas para se juntarem ao CLIC como assistentes. Depois de responder a cada uma dessas pessoas, escrevi este artigo para quem está a pensar em trabalhar como assistente virtual.

Breve resumo

Foi em 2012 que desenhei este projeto. Pretendia trabalhar como assistente virtual, mas tive medo, e não avancei. Na altura, não encontrava muita informação em Portugal e temia que não fosse bem aceite. Esta profissão já é muito comum nos EUA e no Brasil, mas por cá ainda faz levantar o sobrolho a muita gente. Apesar de existir alguma procura e uma necessidade que muitos não sabem que a têm (a necessidade de contratar uma assistente virtual), ainda é preciso explicar o que é uma AV. Como já tive oportunidade de dizer, várias vezes, esta profissão ainda não é conhecida e percebida por toda a gente.

No início de maio de 2018, estava a trabalhar como consultora imobiliária, e dei por mim a executar muitas tarefas administrativas e com a minha agenda cheia, sem tempo para mim e para as minhas filhas. Quando percebi que já não era dona do meu tempo, decidi resgatar o projeto que tinha esquecido e dei-lhe vida. Não quis esperar mais, e quando tomei a decisão, despedi-me. Pensei em tudo o que sabia fazer e criei o CLIC (Comunicar, Ligar Ideias e Criar). No mesmo website apresento três serviços distintos: a assistência virtual, os currículos e as biografias. São três segmentos diferentes, mas que se ligam pela mesma base, a escrita.

Sete perguntas e sete respostas

#1

 Vou ter de correr atrás dos primeiros clientes?

Claro que não! Se correr atrás, vai parecer que está em desespero. Vai ter de se colocar, estrategicamente, à frente do cliente. Só precisa de fazer uma coisa. Dizer ao mundo que é uma assistente virtual. De que forma? Trabalhar a sua rede de contatos, criar um website, blog, contas nas redes sociais, fazer parcerias e trabalhar bem o marketing digital.


#2

 A Cristina fez formação para ser assistente virtual?

Não fiz nenhuma formação para ser assistente virtual. Tenho experiência profissional como assistente comercial, formação em Secretariado e Relações Públicas, licenciatura em Ciências Sociais e o curso Método Biográfico: Produção e Análise de Histórias de Vida. 

Quem está à procura de formação nesta área, tem o mini curso gratuito Como ser Assistente Virtual da Camile Just e informação muito completa que pode encontrar no site.


#3

Como apresento o meu trabalho a futuros clientes?

Sempre que tenho um pedido de informações, envio uma apresentação com um breve resumo do projeto, uma descrição dos meus serviços, preços e condições. Nunca enviei propostas sem que haja uma conversa prévia ou um pedido de orçamento, mas sei que há quem envie propostas a potenciais clientes sem nunca ter existido nenhum contacto antes.


#4

Os primeiros trabalhos têm de ser a custo zero?

Não, necessariamente, mas para começar a ganhar experiência, construir um portfólio e dar-se a conhecer, pode ser uma boa estratégia oferecer um serviço. Talvez ganhe o cliente ou seja recomendado por ele mais tarde.


#5

Como e onde conseguir clientes?

Para quem trabalha de modo remoto, um cliente pode estar em qualquer parte do mundo. É muito importante investir no marketing digital para se dar a conhecer. Não sou especialista nesta área, por isso, sigo algumas dicas da Krystel Leal, do Tiago Faria e fiz um webiário com a Digitalgreen. Apesar de trabalhar virtualmente, não dispenso a apresentação dos meus serviços a amigos, conhecidos e locais que frequento. 


#6

É sustentável ter esta atividade a full-time?

A curto prazo não, porque demora tempo até conseguir uma carteira de clientes que possa sustentar este negócio. Os primeiros três a seis meses são de muito trabalho e aprendizagem. Acredito que com dedicação, persistência, resiliência, empenho, organização e profissionalismo se consegue uma atividade sustentável a tempo inteiro. 


#7 

Qual o salário que se pode atingir?

Primeiro é preciso saber qual o seu valor por hora. Se trabalhar 8 horas por dia e já souber qual o seu valor por hora, terá uma previsão do seu rendimento ao fim do mês. 

A este rendimento tem de retirar o valor das despesas como impostos, divulgação e promoção, website, comissões ou taxas cobradas por plataformas de contratação de serviços, formação, ferramentas digitais e subcontratação

A diferença entre os seus rendimentos e as despesas será o seu salário mensal. Quando calcular o valor por hora, não se esqueça de incluir o seu subsídio de férias e de Natal.

Curso Online: Descobre a tua área profissional
Curso Online: Descobre a tua área profissional

Se ainda tem dúvidas em trabalhar como assistente virtual ou tem outras ideias de negócio, mas tem receio de as colocar em prática, como eu em 2012, recomendo o curso: Descobre a tua área profissional do Nomadismo Digital Portugal. Tire as teimas, mude de vida e seja mais produtivo e feliz na sua atividade profissional.

Valeu a pena? 

Um ano depois, faço um balanço positivo. Ganhei mais autonomia, uma agenda menos preenchida, sinto-me mais produtiva e realizada e, acima de tudo, tenho mais tempo para mim e...para elas!

Cristina Pinto